Na falta do que fazer, inventei a minha liberdade
   
 
 

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 (Salvador Dali: A metamorfose de Narciso)

 

Poesia Torta

 

Ai de mim que sou Ninguém

Humano torto – ó Deus amém

Se assim não fosse

Quem eu seria?

Alguém?

Talvez um dia

 

Pois Alguém sabe

O que a Ninguém cabe

E se Alguém duvida

Ninguém se importa

Mas que não se acabe

A poesia torta

 

Ninguém quer sombra

Alguém quer bomba

Mas que Ninguém machuque

Se Alguém explodir

Tudo é truque!

Não há de ferir

 

Antes que Ninguém desabe

E de louco Alguém babe

Vou me embora!

Quem se importa?

Mas que não se acabe

A poesia torta

 

 

 

 

 



Escrito por Mário Castro às 14h47
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Mãe, fui brincar de astronauta

 

Quando eu provar o sabor das nuvens

Me lambuzar na aquarela boreal do cosmos

E tingir de cores a massa negra universal

Eu volto

 

Não sem antes chegar ao fim

Ao limite do infinito

A fronteira entre o tudo e o nada

Para contemplar o verdadeiro vazio

 

Nadarei por entre as raias orbitais

Derivando, velejando e divagando

Apostando corrida com foguetes

A bordo de meu táxi-lunar

 

Agora só desço daqui amarrado

Viagem sem volta só de ida

Sem prazo nem tempo certo

O jantar que me espere

 

Cadê a graça que aqui estava?

Me sinto tão sozinho!

Aqui tem tanto Espaço!

 

E como que num toque de mágica

Voltarei pra casa por uma passagem secreta:

Um buraco-negro

 

 



Escrito por Mário Castro às 12h56
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(Salvador Dali: Leve construção com feijões cozidos: Premonition da guerra civil)



Me deixe em Paz


Voa, voa e me deixe em paz

Siga a rota dos desesperados e se alargue

Vá para onde os seus estão

E me deixe em paz!


Cumpra o prometido

Deixe que o destino cumpra o seu papel

Prove os frutos que semeou

Se amargos são, amarga fostes

E me deixe em paz!


Tolice sua achar-se

Enquanto, na verdade, deverias procurar-se

Arque com o que lhe é de direito

Saboreie sua dor

E me deixe em paz!


Converse com seu travesseiro analista

E reflita, e pense, se sensibilize

O que lhe falta hoje, você teve

E perdeu, e desperdiçou, não valorizou

Hoje não tem mais jeito

O passado, enquanto é presente, muda o futuro

Então viva o presente

E me deixe em paz!


Presenteie o presente

Embrulhando-o em papel límpido de boa fé

Enlaçado-o com a fita do bem comum

Acompanhado de um cartão feito de boas intenções


Assim deveria ter sido seu passado

Deveria ter feito dele um presente

E ter vivido em paz!

E me deixado em paz!

E me deixe em paz!



Escrito por Mário Castro às 08h34
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Ah, se tu soubesses o que sinto

Nem em pintura conseguiria lhe esboçar

Arte alguma refletiria tal confusão

Caminho querendo chegar ao nada

O ar sólido me dificulta a respiração

Mas tudo insiste seguir-me

Como com uma bola-de-ferro em meus pés

Amor, estou cansado das coisas

Riem de mim as estrelas e os astros

Imitam meu monólogo mudo e úmido

Não de lágrimas, mas de fogo

Hoje, queima de tão gelado meu coração

Ontem, refrigerava-me doce em teu colo

Muitas primaveras passei sem lhe conhecer

Agora, qualquer verão seria em vão sem sua ternura

Rompe no horizonte a alegria do reencontro

Inibido por sua beleza o Sol brilha mais fraco

Oh, Anjo sem asas, voe pro meu abraço

 



Escrito por Mário Castro às 09h10
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Represália

 

Mais uma vez, o Prefeito age de forma arbitrária como meio de querer mostrar seu poder. Ele, através do seu Secretário de Administração e seu Secretário de Negócios Jurídicos, quer impor suspensão aos funcionários municipais da Saúde que participaram da greve contra o término da jornada de 30 horas. Jornada esta que ele havia se comprometido a validar.

A leitura, que podemos fazer disto, é de que o Prefeito quer, assim, dar um castigo exemplar, além do intuito de desestabilizar e descredibilizar o Sindicato da categoria.

Sabemos que há muita políticagem quando a prefeitura trata assuntos que envolvem organismos representantes de classes, mas isto não justifica atitudes que desrespeitam a democracia e o funcionalismo público. Isto, pois, em sendo suspenso, o funcionário não trabalhará, gerando horas extras. Aqui está um paradoxo, e lhes esporei outro: a greve ainda nem foi julgada e, mesmo assim, a punição já veio.

Além do mais, estão sendo punidos duas vezes, pois os dias em que não trabalharam devido à greve, já lhes foram descontados. Uma terceira conseqüência deste ato de soberba, é fazer com que os punidos, também, percam o direito à licença prêmio, ou seja, uma folga qüinqüenal gozada pelos colaboradores municipais.

Contudo, o caso será levado até às últimas instâncias, pois sabe-se do direito de greve que o próprio estatuto do funcionário público subscreve e da legalidade de todo o ocorrido. É claro que, provavelmente, o caso se arrastará por algum tempo, já que estamos lidando com um Prefeito que, a meu ver, se acha a própria justiça, ou, senão, acima dela.



Escrito por Mário Castro às 12h08
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Amar é viver

 

Quanto mais penso na vida, mais eu penso em amor.

Os que já tive, o que vivo,

E algum outro que eu possa vir a provar o sabor.

 

Viver sem amar é sobreviver padecendo,

Na ausência, na carência,

De alguém que nos complete mesmo não sabendo.

 

Cada escolha uma renúncia, e isso é o que somos.

Amigos, amantes,

Resultados da opereta que em tempo real compomos.

 

Maestros de nós mesmos, figurantes de outras vidas,

Artistas num baile de máscaras:

Tão alegres, tristes, cinzentas ou coloridas.

 

O que importa é amar sem culpa, sem medo da fantasia.

Aprender, amadurecer

Experimentar tudo o que nos for bom em demasia

 

Vivo para amar e amo para viver

Agradeço aos meus amores

Pela centelha da vida em mim reascender



Escrito por Mário Castro às 13h29
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Os mesmos

 

O que seria de mim sem eu mesmo

Com todos meus defeitos e qualidades

Com todas minhas crenças e ceticismos

Com todas as minhas loucuras e sanidades

 

O que seria de mim sem você mesmo

Com toda a sua doçura e delicadeza

Com todas as suas virtudes e trejeitos

Com toda sua humildade e grandeza

 

O que seria de nós sem eu e você mesmo

Com todas as nossas concordâncias e divergências

Com toda nossa individualidade e união

Com todos os nossos carinhos e carências

 

Sinto falta de mim

Sinto falta de você

Sinto falta de nós

Mesmo!

 

Vêm, pra mim voltar a ser eu mesmo

Pra eu te fazer ser você mesmo

Pra voltar a existir o nós mesmos



Escrito por Mário Castro às 12h10
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A culpa

 

Meu bem não se assuste

Se um dia acordar e sentir a vida mais bela e doce

A culpa é minha

Fui eu que mandei um querubim lhe tocar com a flecha da paixão

 

Meu bem não se preocupe

Se uma dorzinha no peito lhe afligir de vez em quando

A culpa é minha

Fui eu que roubei de ti o amor que eu não tinha e tanto queria

 

Meu bem não se espante

Se borboletas e pássaros seguirem seus passos o dia todo

A culpa é minha

Fui eu que pedi a natureza para alegrar seu dia na minha ausência

 

Meu bem não chore

Se um dia à noite vir uma chuva de estrelas em noite sem luar

A culpa é minha

Fui eu que pedi a elas que dançassem quando se sentisse sozinha

 

Meu bem não se zangue

Sei que não é certo brincar de Deus pra lhe fazer caprichos

Mas a culpa é sua

Que me deixa embriagado de paixão e sem limites para sonhar



Escrito por Mário Castro às 10h47
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Sentimentos

 

Uma coisa eu aprendi

Através das coisas que vivi

Sentimentos vem e vão

Quer queiramos ou não

 

Cabe a nós saboreá-los

Tanto eles e seus intervalos

De sentimento em sentimento

Cada qual em seu momento

 

Raiva e paixão

Amor e indecisão

Egoísmo e felicidade

Angústia e amizade

 

Movimento de emoções

Que estraçalha corações

Dilúvio de pensamentos

Tanto quanto sofrimentos

 

Sentir é uma arte é um dom

Mas isto tem que ser bom

Para assim sermos quem somos

                             Tanto agora como fomos



Escrito por Mário Castro às 13h49
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